A “rua” mais cara do mundo: conheça o mundo dos luxuosos motorhomes da F1
Imagine uma rua com apenas 300 metros de extensão com 14 imóveis que é tão exclusiva que, para você ter uma casa neste endereço, precisa desembolsar cerca de R$ 2,5 bilhões? Este é o paddock da F1, que pode ser considerada a “avenida mais cara” do mundo, já que apenas 11 equipes, além da própria categoria, do fornecedor de pneus (Pirelli) e da FIA podem ostentar nesta cobiçada área um motorhome ao longo dos principais GPs do ano.
Paddock do Circuito de Hungaroring, palco do GP da Hungria da F1 em 2026
Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images
O valor citado acima é o estimado que a Cadillac teria desembolsado para entrar na categoria. E o valor pode ser até maior, já a última equipe a ser vendida para uma nova entrante (Audi adquirindo a Sauber teve um investimento estimado em R$ 3,6 bilhões (cerca de 600 milhões de euros – os dados oficiais não foram divulgados).
A área de convívio para as equipes existe em todas as corridas do calendário, mas é justamente na fase europeia que o paddock ganha mais exclusividade, já que todos os times levam suas “casas sobre rodas” para receber convidados, criar áreas de descanso para os pilotos, de alimentação para os integrantes de equipe e espaços para reuniões, atividades de mídia e até simuladores.
Paddock da F1 dentro do estádio do Miami Dolphins, no GP de Miami de 2023
Clive Mason – Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Neste ano, a temporada europeia teve início em junho, em Mônaco, incluindo nove GPs até a parte final desta fase do campeonato, que se encerra no meio de setembro no novo circuito de Madri, na Espanha. E foi justamente nas ruas do GP de Mônaco que o mais novo motorhome do paddock da F1 fez sua estreia, o da Audi.
Além da imponente estrutura com três andares e mais de 600 metros quadrados, a casa sobre rodas da equipe de Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg chamou atenção por sua montagem extremamente eficiente. Mesmo sendo transportada por mais de 30 caminhões, carregando 40 containers, pesando ao todo 70 toneladas, o motorhome da Audi é inteiramente montado em menos de 48 horas.
Confira imagens exclusivas do novo motorhome da Audi no GP de Mônaco da Fórmula 1
Juntos, os times protagonizam “a corrida da F1 que ninguém vê”, que acontece justamente entre as etapas, envolvendo a logística de viagem destas estruturas ao longo de toda temporada europeia, muitas vezes com corridas seguidas, ou seja, com desmontagem começando já no domingo do GP e iniciando a viagem na segunda-feira para a próxima corrida, para ficar pronto antes de quinta-feira, quando os times já realizam ações de imprensa, reuniões e recebem convidados em seus motorhomes, como contou ao ge.globo Catja Wiedenmann, diretora de live marketing da Audi F1:
– Quando planejamos esse projeto, era exatamente sobre isso: como gerenciar corridas consecutivas de forma que pudéssemos montar a infraestrutura em um local de corrida e, em seguida, estar prontos no próximo local com praticamente a mesma montagem. Esse foi, de fato, o maior desafio geral: precisávamos criar uma estrutura que pudéssemos desmontar e montar com extrema rapidez. Assim, no total, o tempo para montar essa estrutura é de cerca de 48 horas, se montarmos tudo de uma vez.
Novo motorhome da Audi na F1 em 2026
Divulgação
Um dos principais diferenciais do motorhome da Audi é possuir um guindaste dentro da própria estrutura, que já vem pré-montada, encaixando as peças como se fosse um “brinquedo gigante” com peças de montar:
– Ninguém mais tem isso no paddock: esse guindaste integrado, que nos permite, em um espaço mínimo, ter um processo eficiente para montar toda a estrutura, enquanto os outros precisam de um elevador especial que fica bloqueando permanentemente o paddock e dos caminhões para trazer o contêiner. Nós não precisamos disso; precisamos de muito menos espaço. Por isso, somos muito mais flexíveis.
Mais de 20 pessoas trabalham na montagem e desmontagem do motorhome, e é uma cena bem comum caminhar no paddock nos minutos finais de um GP e já encontrá-lo com uma outra aparência, justamente pelo desafio de precisar viajar mais de mil quilômetros entre uma cidade e outra, como ocorreu neste ano após o GP da Áustria, no Red Bull Ring, indo até Silverstone, na Inglaterra, ou mesmo após o GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, indo até Budapeste, na Hungria.
Motorhome da Audi visto no GP de Barcelona-Catalunha da F1 2026
Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images
– Todo o sistema foi projetado para que tudo aconteça super rápido. Então, temos todos esses contêineres com 400 pontos de conexão, onde todos estão conectados à rede elétrica e a tudo o que é necessário. Precisamos que as coisas aconteçam muito rápido, porque não há muito tempo. Isso é algo muito exclusivo da F1: ter essa situação em que você dispõe dessa infraestrutura e precisa transportá-la de um ponto A para o B em menos de uma semana. Se você olhar em grande escala, é uma loucura só de pensar na logística: precisamos de 31 caminhões só para transportar este prédio de A para B. E isso é só a nossa equipe; são 11 equipes no total. Então, se você imaginar a fila de caminhões que agora segue de Spielberg para Silverstone. Precisamos até pensar onde vamos abastecer, porque a fila será muito longa. Quando você começa a pensar nisso, é um grande desafio logístico.
Assim, quando você estiver assistindo a um GP e ver o piloto vencedor recebendo a bandeirada, saiba que, na temporada europeia, este sinal também é a luz verde para iniciar a “corrida que ninguém vê” para montar a rua mais luxuosa e exclusiva do mundo em mais um autódromo que recebe a F1. geRead More


