Do cochilo no 7 a 1 à herança de camisas: como a Copa do Mundo tornou pai e filho inseparáveis
Veja como a Copa do Mundo tornou pai e filho inseparáveis em Juiz de Fora
A paixão pelo futebol muitas vezes é algo que passa das mães e pais para os filhos. Foi exatamente isso que aconteceu entre Luiz Paulo Knop e Arthur Soares de Mendonça Cabral em Juiz de Fora, no interior de Minas Gerais. E em tempos de Copa do Mundo, este amor pelo esporte transborda.
Este sentimento que une pai e filho vai além da paixão pelo Flamengo, clube do coração dos dois, e da alegria de colecionar o álbum de figurinhas do mundial. A admiração pelo torneio tem a ver com um cochilo de um bebê durante o traumático 7 a 1 para a Alemanha e chega ao ápice hoje com o adolescente que cresceu e herda aos poucos a coleção de camisas de futebol do pai.
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Ao lado da esposa e mãe Cláudia, Luiz Paulo e Arthur tem futebol e Copa do Mundo com elo forte na família
Luiz Paulo Knop/Arquivo pessoal
Mais do que as peças de clubes e seleções que estão nas cômodas e guarda-roupas da casa, Arthur teve a sorte de ter um pai que conhece e gosta de esportes no geral. De acordo com Luiz Paulo, o menino teve contato com o meio esportivo desde o berço, de forma natural e constante.
— O fato de estar comigo nos eventos, me vendo jogar ou assistir à alguma partida, foi criando nele o hábito e o gosto pela prática das modalidades. Eu sou muito curioso com relação à história do esporte, e acredito que isso tenha criado no Arthur essa paixão também. De vez em quando ele acha alguma curiosidade sobre algum esporte e me manda, quando não estou perto dele no momento. E ficamos conversando a respeito dessa curiosidade — disse.
Só que houve uma época que Luiz Paulo e Arthur conversavam menos do que hoje sobre esporte. E foi justamente neste período em que o filho era apenas um bebê que uma história de Copa do Mundo marcou Luiz Paulo para sempre.
O 7 a 1 para a Alemanha em 2014 teve impacto em todos os apaixonados pelo futebol mundo afora. O trauma para Luiz Paulo foi ver a goleada ser construída enquanto o pequeno Arthur, de apenas um ano em meio, tirava um cochilo e não conseguir explicar para o filho, a esposa e nem para si mesmo o que acontecia na semifinal do Mineirão.
Khedira marcou o quinto gol da Alemanha sobre o Brasil. No momento, Arthur acordou, e Luiz Paulo não conseguiu explicar o que acontecia
Agência Reuters
— Acho que até hoje eu não sei explicar o que aconteceu no dia do 7 a 1… Arthur era muito novo, tinha um ano e meio mais ou menos, mas estava sempre acompanhando as partidas comigo e torcendo, da maneira dele. Quando saiu o primeiro gol ele tinha dormido, e minha esposa foi levá-lo para o quarto. Um pouco depois eles voltaram, e o jogo já estava 5 a 0. Eles me perguntaram o que tinha acontecido e eu sem conseguir explicar. Eu só olhava para eles com cara de incerteza e respondia: “Não sei dizer. Sofremos um apagão, não sei dizer o que aconteceu” — contou.
Aos poucos Arthur pegou gosto pelo esporte, se torjnou flamenguista e um apaixonado pela Seleção. Apesar de muito novo, a primeira Copa a que ele realmente assistiu foi a de 2018, sem lembrar de muita coisa pela idade, entre cinco e seis anos. Em 2022, já perto dos 10, o jogo mudou, e o menino se apaixonou de vez pelas Copas e pelo esporte. Luiz Paulo afirma que a Eurocopa 2020, disputada em 2021, teve poso importante para isso.
Arthur herdou do pai também a paixão pelo Flamengo
Luiz Paulo Knop/arquivo pessoal
— Por algum motivo que não sei explicar ele ficou encantado com a seleção da Espanha, em especial com o Morata e o Unai Simon. Eu sempre tive a Itália como a minha segunda seleção. Então passamos a Euro inteira naquela torcida, um provocando o outro. Eis que as duas seleções se enfrentaram na semifinal do torneio. Foi uma zoeira danada lá em casa. Ainda era final da pandemia, então tínhamos alguns motivos para ficar em casa assistindo aos jogos. A Itália acabou campeã daquela competição e ele passou a torcer contra a Itália para me zoar — disse.
Hoje Arthur tem 13 anos e se prepara para acompanhar a terceira Copa do Mundo dele. O adolescente afirma que o interesse do pai pro várias modalidades e por contar histórias que ele viveu tiveram total influência no gosto do menino pelo esporte de forma geral.
Luiz Paulo e Arthur em jogo do Flamengo no Maracanã
Luiz Paulo Knop/Arquivo pessoal
— Ter um pai apaixonado pelo esporte em si já é muito legal. Ele me fala tudo sobre que ele sabe e com isso eu fico mais apaixonado pelo futebol. Quando ele me conta as histórias de infância, quando ele ganhava campeonatos de futebol e que representou a escola oito anos seguidos, por exemplo. Acho que era um sonho dele me contar tudo aquilo, desde de que eu estava na barriga da minha mãe — destacou.
Herança em vida
Paixão, conhecimento e histórias não foram as únicas coisas que passaram de geração para geração na casa dos Knop. Hoje a transição de paio para filho é na coleção de camisas.
Luiz Paulo acredita ter mais de 200 peças guardadas em casa. Porém, boa parte já mudou de mãos.
— Eu virei colecionador ainda no anos 1990. Foi algo meio casual, comecei a ganhar camisa dos amigos e familiares, fui juntando até perceber que eu gostava muito daquilo. Acho que ao ver eu usar e com as poucas que ele tinha, o Arthur criou também o gosto — falou.
Coleção, camisa, Copa do Mundo, Juiz de Fora
Luiz Paulo Knop/Arquivo pessoal
“O lance é que hoje ele quer ir com camisa de futebol para tudo quanto é lugar. Desde aniversários até qualquer outro tipo de evento. E de uns dois anos para cá ele passou a pedir camisas de presente nas datas festivas. Só que agora ele cresceu e começou a pegar as minhas camisas”.
Arthur está na boa. Prioritariamente, ele se aproveita das camisas que não servem mais no pai e, em seguida, aumenta gradativamente a coleção dele com compras ou com outras peças que passam a caber nele, que está em fase de crescimento.
A situação é tão boa para o adolescentes que ele até criou uma maneira organizada de se preparar para ampliar ainda mais o acervo histórico construído pelo pai.
— Quando criança ganhei um celular eu criei um grupo no aplicativo de mensagens comigo mesmo. Quando eu via alguma camisa que eu gostava, eu salvava nesse grupo para quando alguém me perguntasse o que eu ia querer de presente, eu mostrar — contou.
Coleção, camisa, Copa do Mundo, Juiz de Fora
Luiz Paulo Knop/Arquivo pessoal
“Acho que se somarmos as do meu pai e as minhas, passamos de 300 camisas. Com isso eu posso guardar para o meu filho, assim como meu pai fez, e economizo um pouco no futuro (risos)”.
Como camisa é o que não falta, os dois se preparam para mais uma Copa do Mundo. E a escala já estão até pronta. Quando Luiz estiver no trabalho, Arthur vai ser o responsável por acompanhar os jogos e fazer o “relatório completo” para o pai. Além disso, o menino de 13 anos se diz ansioso por outro motivo especial.
— Essa Copa vai ser a melhor para mim. Não creio que o Brasil será hexa, mas é aquela coisa né, sou brasileiro e tenho orgulho das cinco estrelas, vou torcer até morrer. Fora isso, é a última Copa de dois gênios da bola que estarão marcados na história do futebol, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Se tiver jogo deles, eu vou ver — finalizou. geRead More


