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A Copa, afinal, é do mundo

A Copa, afinal, é do mundo

Nova Zelândia 1 x 3 Egito | Melhores momentos | 2ª rodada | Copa do Mundo 2026
A primeira vitória do Egito em Copas. A primeira Copa e o primeiro ponto de Curaçao. A primeira Copa e o primeiro gol de Cabo Verde.
A segunda rodada do Mundial, ainda em andamento, reforça uma característica desta edição do torneio: mostrar que a Copa, afinal, é do mundo.
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Máscara Vozinha na Copa do Mundo
REUTERS/Paul Childs
Em um país apaixonado por futebol no norte da África, em um pontinho no mapa do Caribe, em uma ilha do Oceano Atlântico, torcedores comemoram aquilo que para nós, brasileiros, ricos em títulos, passageiros frequentes desta jornada, já é parte da paisagem: uma vitória, um ponto, um gol.
Meu lado pragmático empina o nariz de analista e lamenta certa profanação da Copa do Mundo, agora anabolizada com 48 vagas, algumas delas para seleções de nível técnico questionável; meu lado humano se flagra gritando “Vamo, Curaçao!” no meio da sala ou emocionado com um goleiro chamado Vozinha.
Jogadores de Curaçao agradecem aos torcedores após empate com Equador
Hannah Mckay / Reuters
Alguns dos momentos mais marcantes deste começo de Copa têm a ver com excelência: a atuação deslumbrante de Messi, a qualidade dos Estados Unidos, a parceria explosiva entre Olise e Mbappé, a goleada da Holanda sobre a Suécia.
Mas muitos outros, talvez ainda mais inesquecíveis, repousam na capacidade humana de questionar o impossível. São sobre pequenos países e atletas anônimos experimentando a grandeza que sempre lhes pareceu alheia. Nisso, a Copa do Mundo de 48 seleções se aproxima das Olimpíadas, que, de tão democráticas, permitem as delícias da ingenuidade.
É a Copa da diáspora, embora talvez você não aguente mais essa expressão. Cerca de 25% dos jogadores presentes no torneio não nasceram nos países que defendem. Em um momento do segundo tempo do jogo contra o Brasil, todos os 11 atletas de Marrocos eram nascidos fora do país. Neste Mundial, fronteiras foram demolidas – uma ironia do futebol em tempos de políticas anti-imigratórias em países fundados pela imigração.
O êxodo ajuda a explicar o sucesso de equipes com pouca tradição no futebol. Cabo Verde tem atletas em clubes como o Benfica, de Portugal, e o Villarreal, da Espanha. Dos 26 convocados, 22 atuam em times europeus. Em geral, são equipes pequenas. Mas equipes pequenas enfrentam equipes grandes – e assim eles vão se habituando a esse ecossistema.
Zico comemora primeiro gol pelo Egito em Copas do Mundo
REUTERS/Albert Gea
O sucesso de azarões contra países muito mais tradicionais também serve como troco para a arrogância eurocêntrica. No começo de abril, o jornal britânico “The Independent” noticiou a irritação de federações europeias por terem “apenas” 16 das 48 vagas na Copa – um terço, portanto. No fim do ano passado, Gennaro Gattuso, então técnico da Itália, criticou a distribuição de vagas, classificada por ele como “uma decepção”. A Itália acabaria fora da Copa – e ele, fora do cargo.
Mesmo assim, seleções europeias de futebol sofrível, como Bósnia e República Tcheca, garantiram classificação. Nada contra, mas eu as trocaria por outro Curaçao, por um novo Cabo Verde, por mais algum país capaz de nos lembrar que a Copa é do mundo inteiro. geRead More