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Brasil 3×0 Haiti: a confiança voltou, mas os problemas permanecem

Brasil 3×0 Haiti: a confiança voltou, mas os problemas permanecem

Brasil 3 x 0 Haiti | Melhores momentos | 2ª rodada | Copa do Mundo 2026
Após a decepção da estreia, a partida contra o Haiti tinha dupla função: devolver alguma confiança e permitir que o desempenho da Seleção fosse aprimorado. Depois dos 3 a 0, talvez não seja um pessimismo descabido afirmar que apenas o primeiro objetivo foi cumprido. O Brasil saiu mais leve do que entrou, mas apresentando muitos dos mesmos problemas.
Qualquer análise da partida precisa levar em conta a fragilidade da seleção caribenha — e é uma pena que um país que aprecie tanto o futebol brasileiro seja o primeiro eliminado da Copa. Mesmo diante de um adversário pouco exigente, o jogo da equipe de Carlo Ancelotti não conseguiu fluir com total naturalidade. Prova disso foram os primeiros vinte minutos, período em que o Brasil voltou a apresentar uma preocupante pobreza na capacidade de construção ofensiva — mesmo nas transições rápidas, sua melhor característica.
De positivo, sempre considerando o nível acanhado do Haiti, a Seleção apresentou um melhor encaixe do seu trio ofensivo, com Vinicius Jr. e Raphinha abertos, enquanto Matheus Cunha atuava de forma mais centralizada. Algumas vezes, a dinâmica entre eles funcionou, tanto que Raphinha teve um gol anulado e, por preciosismo, desperdiçou uma chance clara.
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Reuters
Se alguém soube aproveitar a noite da Philadelphia, trata-se de Matheus Cunha. Ao marcar os dois primeiros gols, em um deles cumprindo o papel de centroavante (mesmo que não o seja) e no outro mostrando toda sua cátedra para finalizar, é provável que tenha garantido lugar para ocupar o vácuo no centro do ataque.
E, se existe algum brasileiro, dentro ou fora de campo, que esteja à vontade em meio ao vespeiro da Copa do Mundo, sem dúvida é Vini Jr. Autor do terceiro gol, o atacante até agora teve participação em todos os quatro gols brasileiros. Mais do que isso, é praticamente uma usina de energia em meio ao deserto, sendo o maior (na verdade, às vezes o único) responsável pelas ações criativas da Seleção.
O meio-campo brasileiro passou por momentos de instabilidade. Se Paquetá novamente começou mal, mas evoluiu bastante durante o jogo, e Bruno Guimarães teve uma atuação muito consistente, Casemiro contribuiu pouco na saída de bola e tampouco ofereceu proteção adequada ao sistema defensivo. Em vários momentos, um latifúndio abria-se para os haitianos, o que pode ser letal diante de uma seleção mais qualificada.
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Não deixa de decepcionar a postura do segundo tempo. Para um time que precisa urgentemente de afirmação, o Brasil mostrou-se muito confortável com o placar construído, ainda que o Haiti oferecesse muito campo para ser explorado. Mas o convite para transformar uma vitória fácil em afirmação foi recusado, e essa falta de iniciativa prejudicou quem entrou buscando espaço, como Danilo Santos e Endrick. Em campo desde o primeiro tempo, no lugar de Raphinha, que saiu lesionado, Ryan teve participação discreta.
Mesmo um jogo cheio de condicionais deixou uma certeza. Porque o time de Ancelotti mostrou que vai apostar suas fichas em pressão para roubar a bola, seguida de jogo acelerado, mesmo diante de adversários muito inferiores (o Brasil teve 50% de posse de bola, contra 43% do Haiti).
Assim nasceram os gols e aí será preciso depositar as obrigatórias esperanças. Não é exatamente encantador, mas é como o time se sente confortável. Portanto, é melhor esquecer qualquer cadência para controlar o jogo ou amorcegar a situação — a estratégia é tensão latente e correria quase desenfreada. Parece que vai ser assim até o fim.
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