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Como a guerra com os Estados Unidos alterou a logística do Irã para a Copa do Mundo

Como a guerra com os Estados Unidos alterou a logística do Irã para a Copa do Mundo

Presidente da FIFA garante Irã vai disputar a Copa e jogar nos EUA
A seleção do Irã embarca neste sábado para a Copa do Mundo. A viagem da Turquia para o México marca o fim das incertezas sobre a participação da equipe persa no torneio.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, com os ataques lançados por Israel e Estados Unidos contra a República Islâmica, foram meses em que o futebol foi pano de fundo para a disputa política.
Ameaça de boicote, uma novela para emissão de vistos, artilheiro fora da convocação e a mudança da base de treinos da seleção iraniana estão entre os impactos do conflito para a delegação do país.
— Bem, para ser honesto, não é fácil. Esta será minha terceira Copa do Mundo, então, pode ser um pouco mais fácil lidar com isso. Mas, no final das contas, vai ser difícil para todos porque, ao mesmo tempo, estamos acompanhando as notícias do nosso país e as questões políticas. Claro, podem afetar o psicológico dos jogadores e das pessoas — disse o meia Saeid Ezatolahi, à Associeted Press. Ele disputou as Copas de 2018 e 22 com sua seleção.
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Seleção do Irã nas Eliminatórias da Copa 2026
Noushad Thekkayil/NurPhoto via Getty Images
O Irã garantiu vaga na Copa do Mundo no dia 25 de março do ano passado. Foi a terceira seleção classificada, sem contar os anfitriões Estados Unidos, Canadá e México. Ainda assim o planejamento logístico da delegação precisou ser refeito de última hora em consequência da guerra.
É a sétima Copa do Mundo que o Irã vai participar. A equipe nunca passou da fase de grupos e tem três vitórias em 18 jogos. Os iranianos estão no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia.
A mudança de base de treinos
A principal alteração de planos foi estabelecer uma base de treinos fora dos Estados Unidos. O plano original era se sediar em Tucson, no Arizona.
No dia 24 de maio, a Fifa confirmou a mudança para Tijuana, no México. O Centro Xoloitzcuintle, complexo do Club Tijuana, vai ser a casa do Irã durante a competição.
Em março, o Irã chegou a solicitar à Fifa que transferisse os jogos de sua seleção para o México, o que foi rejeitado. Todas as partidas do Irã na fase de grupos vão ter os Estados Unidos como palco.
— É verdade que estamos enfrentando circunstâncias especiais agora, mas somos jogadores de futebol e temos que jogar, treinar e nos preparar para as competições que temos pela frente. Sabemos que nosso povo tem passado por muitas dificuldades durante a guerra, e estamos lá por eles, para obter os melhores resultados para a alegria do nosso país — disse Mohammad Ghorbani, em sua primeira Copa do Mundo, aos 24 anos.
Ainda assim, a mudança para Tijuana deixou os iranianos mais próximos das cidades onde vão jogar: Los Angeles e Seattle. É que a cidade mexicana fica na fronteira com a Califórnia. Os iranianos vão viajar cerca de 2.500 km a menos na primeira fase da Copa do Mundo.
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Veja a agenda de jogos do Irã:
15/6 – 22h (de Brasília) – Irã x Nova Zelândia, em Los Angeles
21/6 – 16h (de Brasília) – Bélgica x Irã, em Los Angeles
27/6 – 0h (de Brasília) – Egito x Irã, em Seattle
— A melhor mensagem que posso transmitir agora é que a seleção iraniana está demonstrando o que significa ser uma equipe. Estamos mostrando que somos uma equipe sob bandeira, capaz de trazer alegria a todo o nosso país e mostrar ao mundo o poder dos jogadores e do povo iraniano — continuou Ghorbani.
Centro Xoloitzcuintle, em Tijuana, vai ser a base do Irã na Copa do Mundo
Team Melli
A preparação no Irã e na Turquia
Não há registros de que a guerra teve impacto direto na preparação da seleção iraniana. O time comandado pelo técnico Amir Ghalenoei treinou por cerca de um mês no Centro Nacional de Futebol, em Teerã.
No dia 18 de maio, a delegação viajou para Antalya, na Turquia, onde fez a última parte dos treinos, inclusive dois amistosos, um contra Gâmbia, outra com o Mali, de portões fechados. A Federação Iraniana não relacionou a medida de fechar o amistoso como consequência da guerra.
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Ameaças de boicote
A disputa política entre Irã e Estados Unidos começou a se refletir na participação iraniana na Copa do Mundo em março. O Ministério dos Esportes do país chegou a proibir que equipes esportivas nacionais e clubes viajassem para países considerados “hostis”.
Dias antes, o presidente da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI), Mehdi Taj, já havia ameaçado boicotar os jogos nos Estados Unidos, embora ressaltasse o desejo de entrar em campo no México.
À época, a Fifa afirmou não resolver conflitos geopolíticos, mas destacou empenho para usar o poder do futebol para “construir pontes e promover a paz”. O presidente americano Donald Trump, por sua vez, reforçava o discurso de considerar inapropriada a participação iraniana na Copa do Mundo por questão de segurança, chegando a pedir a substituição do Irã pela Itália.
Mehdi Taj, presidente da Federação de Futebol do Irã
Amin Mohammad Jamali/Getty Images
A primeira ameaça de boicote, porém, foi ainda no ano passado.
Em dezembro, o Irã chegou a anunciar que não iria ao sorteio da Copa do Mundo por causa da restrição de vistos a membros da delegação do país – apenas quatro foram aprovados, e Taj teve sua entrada negada nos Estados Unidos. No fim, dois representantes viajaram a Washington.
Visto negado e ausência em Congresso da Fifa
Em abril, membros da delegação do Irã faltaram ao Congresso da AFC (Confederação Asiática de Futebol) e ao 76º Congresso da Fifa, ambos realizados em Vancouver, no Canadá. Foi a única entidade ausente.
O presidente da Federação de Futebol do Irã, Mehdi Taj, chegou a desembarcar no Canadá, mas não teve permissão para ficar no país. De acordo com agências internacionais, Mehdi Taj teve sua entrada negada por ter atuado, no passado, na Guarda Revolucionária do Irã.
O caso motivou a Fifa a marcar uma reunião com Mehdi Taj em maio, em Zurique, na Suíça, sede da entidade máxima do futebol internacional. Havia o temor de que a medida adotada pelo governo do Canadá se repetisse nos EUA, que já havia indicado a possibilidade de negar vistos a dirigentes iranianos por suas relações com as forças do país.
Os preparativos para a participação do Irã foram discutidos, incluindo a mudança de base para Tijuana.
Mattias Grafstrom, secretário-geral da Fifa, ao lado de Mehdi Taj, presidente da Federação do Irã
Reuters
Novela para emissão de vistos
Por causa da guerra no Oriente Médio, o processo de emissão de todos os vistos para a delegação iraniana embarcar para o México só foi concluído na quinta-feira, dois dias antes da viagem e 11 dias antes da estreia do Irã na Copa do Mundo, contra a Nova Zelândia, no dia 15 de junho, em Los Angeles.
Para conseguir os documentos necessários para a entrada no México, a delegação do Irã viveu semanas de incertezas. A Fifa teve de fazer um papel de intermediação nos bastidores junto às autoridades dos países-sede.
O principal ponto de entrave era a liberação para alguns dirigentes e membros da comissão técnica que tiveram ligação no passado com a Guarda Revolucionária do Irã, considerada uma organização terrorista pelos Estados Unidos e pela União Europeia.
Segurança e monitoramento
As condições do Irã para participar da Copa do Mundo incluem a concessão de vistos e respeito à comissão técnica da seleção, à bandeira do país e ao hino nacional durante o torneio, além de segurança reforçada em aeroportos, hotéis e nos trajetos até os estádios.
Por outro lado, o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o país vai monitorar de perto a delegação iraniana. Rubio disse que a medida tem como objetivo evitar ligações com o terrorismo, especialmente com a Guarda Revolucionária do Irã.
Seleção do Irã em preparação para a Copa do Mundo
Getty Images
Jogador excluído por traição?
Um possível impacto da guerra dentro de campo para o Irã foi a não convocação de Sardar Azmoun. O terceiro maior artilheiro da história da seleção iraniana se envolveu em uma polêmica política.
Em março, no auge do conflito no Oriente Médio, ele compartilhou uma foto apertando a mão de Mohammed bin Rashid Al Maktoum, primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos, país aliado dos Estados Unidos. Por outro lado, o xeque é presidente de honra do Shabab Al-Ahli, time em que o atacante joga.
O aperto de mão, porém, não é uma justificativa oficial para a ausência de Azmoun na lista de convocados do Irã. A imprensa local informou a versão de que o atacante teria descumprido prazos para a obtenção do visto. Ele ainda precisou operar o tornozelo esquerdo em outubro do ano passado e ficou quatro meses parado.
Sardar Azmoun: aperto de mão controverso pode ter tirado artilheiro do Irã da Copa do Mundo
Reprodução/Instagram
Azmoun jogou as duas últimas Copas do Mundo e tem 57 gols em 91 partidas pelo Irã. A importância dele foi óbvia no ciclo deste Mundial: desde 2023 ele teve 24 participações em gols em 23 jogos (16 marcados e oito assistências) e só perdeu uma vez com a seleção (aproveitamento de 81,1%). geRead More