Danilo Santos pede passagem: como o ponta driblador na base virou volante de Copa do Mundo
Será que a versatilidade de Danilo o ajudou a ser convocado?
Coragem para mudar. A caminhada até uma Copa do Mundo é feita de tomadas de decisões, riscos assumidos e sacrifício. Mas se fosse para definir a trajetória de Danilo Santos até o Mundial de 2026, é difícil fugir da que abre este texto. Um dos últimos a convencer Carlo Ancelotti por um lugar entre os 26 convocados, o volante do Botafogo nunca se privou de corrigir rotas e colhe os frutos desta coragem para mudar.
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Danilo Santos com a camisa do Instituto Manassés, da Bahia
Reprodução
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A frustração nunca foi empecilho. De dispensado das categorias de base do Bahia para promessa no Palmeiras. De atacante de lado de campo ao chegar em São Paulo a volante promissor. Do sonho de jogar na Europa para a aposta no retorno ao Brasil com um objetivo bem definido: jogar a Copa do Mundo. Coragem para realizar:
“Aquele passo atrás (sair da Europa) deu certo para estar bem na Seleção. Um passo para trás que representou dois ou mais para frente”
— Deu medo por não ser convocado (logo que voltou ao Botafogo), não conseguir ter sequência, mas de janeiro para cá deu para voltar bem física e mentalmente para mostrar meu futebol — define Danilo em entrevista exclusiva ao ge.
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A mudança mais impactante, no entanto, foi mesmo dentro de campo. O pontinha driblador dos tempos de Bahia ficou para trás. Foi em um torneio na República Tcheca, aos 16 anos, que Danilo começou a escrever sua história como volante, e o sucesso está diretamente ligado a um conselho que ouviu assim que entrou em campo: “Solta a bola”:
– Quando me mudaram para o meio, pediram para eu dar só dois toques. O Gilmey Aymberê, que era auxiliar do Sub-20 do Palmeiras, disse: “Eu sei que você é ponta e gosta de driblar, mas no meio não tem drible, não”. Entrei no segundo tempo, na primeira bola que peguei, fui driblar dois e perdi a bola. Ele ficou maluco no banco, mas depois pedi calma, e as coisas foram acontecendo.
— Era um torneio na República Tcheca, e eles me ajudaram bastante, dando oportunidade no meio mesmo sem nunca ter jogado ali. Eu tinha uma lentidão nos cinco primeiros metros que fomos trabalhando e com o passar do tempo isso me ajudou bastante. Depois desse torneio, eu volto para o Sub-20 já com um outro status, uma confiança maior.
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Danilo Santos em entrevista ao ge
André Durão / ge
O menino que pintava as ruas e colocava bandeirinhas nas ruas de Salvador em época de Copa do Mundo mudou, cresceu e é uma das apostas de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo que começa no próximo dia 13 para a Seleção. Em bate-papo de cerca de 30 minutos, o volante do Botafogo abriu seu baú de memórias. Das dificuldades na Inglaterra passando pela expectativa de oportunidade ainda com Tite, em 2022, Danilo mudou a vida para estar no Mundial.
Confira a íntegra da entrevista:
Lembranças de Copa do Mundo
— Já pintei rua, já coloquei bandeiras… Tenho mais lembranças a partir de 2006, quando eu entendia mais. Não eram todos os jogos que eu conseguia assistir. Em 2014, eu acho que fui jogar bola e quando cheguei em casa vi o 7 a 1. É algo que ficou marcado e deixou muitas dúvidas. Eu não entendi, não conhecia muito as outras seleções, não tinha esse entendimento. Para mim, os jogadores do Brasil eram sempre os melhores e isso ficou marcado na minha memória.
Dificuldades no futebol inglês
— Foi um período difícil. Quebrar o tornozelo e ver uma temporada inteira passar por lesão, voltar e não ter sequência… Foram coisas que me ajudaram bastante mentalmente e me fortaleceram. Eu sabia que teria uma Copa para disputar e precisaria de minutagem, de preparo, e isso fez com que eu pudesse ter essa performance no Botafogo e na Seleção. A cultura da Inglaterra acabou me ajudando e fortalecendo também.
Danilo era atacante na base do Bahia, mas acabou dispensado
Reprodução
Retorno ao Brasil pela Copa do Mundo
— Foi muito difícil. Eu tenho idade de estar na Europa, mas a minha lesão grave me fez perder espaço no Nottingham. No início, eu não queria voltar ao Brasil, tinha em mente dar a volta por cima e brilhar, mas é o futebol e a gente não consegue controlar certas coisas. Voltei com um receio de não ter feito a coisa certa, era um projeto para a Copa, e novamente tive lesões que me atrapalharam. Então, o medo de antes se tornou realidade por não ser convocado, não conseguir ter sequência, mas de janeiro para cá deu para voltar bem física e mentalmente para mostrar meu futebol. Aquele passo atrás deu certo para estar bem na Seleção. Um passo para trás que representou dois ou mais para frente.
Ciclo para 2022
— Quando eu fui convocado jogando pelo Palmeiras, eu ainda era moleque e senti um pouco a presença daqueles ídolos. Muitos jogadores renomados. Você sabe que tem potencial para estar ali, mas era uma das últimas antes da Copa. Já agora, contra a França, eu sabia que era a chance que eu precisava. Eu tinha que mostrar de qualquer jeito o futebol para ter minutos diante da Croácia e colocar uma dúvida na cabeça do professor Ancelotti.
Danilo Santos buscou a convocação de qualquer jeito!
Versatilidade na Seleção
— Hoje em dia, quando o jogador é box-to-box no meio torna tudo mais fácil para os companheiros e para o treinador. Eu posso jogar de 5, de 8 e até mesmo de 10. Consigo marcar, atacar e fazer o bate e volta. Isso facilita e me ajuda muito. Eu joguei sempre desde a base do Bahia como 10 ou de ponta invertido. Essa facilidade nos jogos acho que vem muito disso.
Mudança de posição
— Quando me mudaram para o meio, pediram para eu dar só dois toques. O Gilmey Aymberê, que era auxiliar do Sub-20 do Palmeiras, disse: “Eu sei que você é ponta e gosta de driblar, mas no meio não tem drible, não”. Entrei no segundo tempo, na primeira bola que peguei, fui driblar dois e perdi a bola. Ele ficou maluco no banco, mas depois pedi calma e as coisas foram acontecendo. Era um torneio na República Tcheca e eles me ajudaram bastante, dando oportunidade no meio mesmo sem nunca ter jogado ali. Eu tinha uma lentidão nos cinco primeiros metros que fomos trabalhando e com o passar do tempo isso me ajudou bastante. Depois desse torneio, eu volto para o Sub-20 já com um outro status, uma confiança maior.
Memórias de Brasil x Croácia
— Não lembro onde eu assisti. Foi um momento triste demais. É que o 7 a 1 não tem como explicar o quanto doloroso foi, mas diante da Croácia por estarmos ganhando e tomar o gol de empate no final, perder nos pênaltis, vai ficar marcado talvez até mais.
Danilo Santos em entrevista ao ge
André Durão / ge
Jejum desde o penta
— Minha geração não viveu isso, mas pelo que meus pais e amigos antigos falam, pelo que eu assisti em documentários, é algo que dá uma emoção. É aquilo de pensar que esse ano temos que ganhar a Copa e fazer os brasileiros serem felizes de novo. Vai ser especial para todos mundo. Estamos há tantos anos sem ganhar a Copa, sem chegar a uma final, e isso vai ficar marcado para sempre não somente para os jogadores, mas para todos.
Expectativa para a Copa
— Vai ser um momento muito especial. Desde a viagem já chegam os flashbacks assistindo aos jogos do Brasil como criança. Vamos jogar diante de milhões, bilhões… Não são somente os brasileiros que vão assistir. Vai ser brilhante.
Danilo Santos em entrevista ao ge
André Durão / ge
Atuações na Data Fifa de março
— É difícil absorver. Poder ir bem e aproveitar os minutos que tive, era a chance para agarrar com unhas e dentes, não soltar mais. Nem nos meus melhores sonhos ia imaginar que seria como foi contra a França e a Croácia. No primeiro jogo como titular, já fiz gol. Só posso agradecer o que estou vivendo.
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