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É bom chegar na Copa em crise? Como títulos de 1994 e 2002 inspiram Seleção em seu pior ciclo da história

É bom chegar na Copa em crise? Como títulos de 1994 e 2002 inspiram Seleção em seu pior ciclo da história

Quatro treinadores, 37 jogos, 17 vitórias, 10 empates e 10 derrotas. Nenhum título conquistado e apenas 54,5% de aproveitamento desde a última Copa do Mundo. O Brasil chega ao Mundial de 2026 em seu pior ciclo da história. Cresceu nos últimos anos um discurso de que isso poderia ser bom, já que em 1994 e em 2002, últimos dois títulos mundiais, a seleção brasileira chegou em baixa.
O argumento também se basearia nos ciclos mais recentes, de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022, quando a Seleção teve bons desempenhos, acumulou títulos de Copa América, Confederações e Olimpíadas, mas não conseguiu o título na Copa do Mundo, o mais importante. Será que chegar ao torneio como favorito realmente atrapalha? O ge checou se esta tese se sustenta.
Carlo Ancelotti, em treino da seleção brasileira antes da Copa do Mundo
Mauro Pimentel/AFP
É verdade que os ciclos de 1994 e 2002 não foram os mais tranquilos. Longe disso. Entre a Copa de 90 e a de 94, o Brasil teve dois treinadores (Paulo Roberto Falcão e Parreira), não conquistou nenhum título e fez campanha fraca nas Eliminatórias, se classificando apenas na última rodada.
O pré-2002 foi ainda mais conturbado, apesar de vencer a Copa América em 1999. Convivemos com as demissões de Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão antes de Felipão assumir um ano antes da Copa. Mas vencer quando chega em crise não é uma regra. O Brasil já foi campeão com desempenhos muito melhores, inclusive carregando o status de favorito ao título.
Desempenho do Brasil no atual ciclo comparando com ciclos campeões:
Ciclo 1962 – 80,3% de aproveitamento
Ciclo 1970 – 74,5% de aproveitamento
Ciclo 1958 – 69,9% de aproveitamento
Ciclo 2002 – 66,6% de aproveitamento
Ciclo 1994 – 60,9% de aproveitamento
Ciclo 2026 – 54,5% de aproveitamento
“Pior ciclo da história da Seleção Brasileira”, avalia Cahê Mota
Isso nada mais é do que uma superstição. Não tem nenhuma lógica. A Copa é um torneio de tiro curto. Muitas vezes, o time que era favorito tem problema entre jogadores e treinador. Ou perde um jogo específico, que não era apontado e perde confiança. A Copa envolve projeto de vida e carreira. O lado emocional fica muito aflorado. Seleções que conseguem lidar com isso costumam levar vantagem. Mas já teve seleção que chegou como favorita e ganhou. E teve seleção grande que chegou como ‘azarona’ e foi muito mal.
— A única coisa que talvez ocorra é a questão de você se dedicar mais e se concentrar mais, quando não chega como um dos favoritos. E, por outro lado, como já aconteceu com o Brasil, você pode relaxar. Não buscar a preparação correta, perder preparo e condicionamento e entrosamento do time na reta final — completou Rodrigo Coutinho.
Nos cinco ciclos mais recentes, o Brasil teve bons e ótimos desempenhos. O menor aproveitamento foi o pré-2018, com 66,7%, e o ciclo anterior, antes de 2022, teve incríveis 73,9% de aproveitamento, mas não conseguiu o título.
Em 2006, o Brasil tinha uma das melhores seleções da história, com diversos jogadores entre os melhores do mundo, mas esta falta de concentração e preparação indevida chamou atenção na época. Zé Roberto, titular da Seleção há 20 anos, confirmou o fato ao ge, em entrevista em março de 2024.
— Faltou preparação e foco na parte física. Nem todos estavam 100% fisicamente. E um pouco de organização da CBF junto ao calendário de treinos na Suíça e o espaço onde colocaram a gente. Foi muita bagunça… e isso tira o foco e a concentração. Com o time que nós tínhamos, teríamos que chegar pelo menos à final daquela competição — disse o meio-campista do Brasil em 2006.
Seleção brasileira era grande favorita na Copa de 2006, mas foi eliminada nas quartas de final
Getty Images
— Muitas vezes, o time que era favorito tem problema entre jogadores e treinador, ou perde um jogo específico, que não era apontado e perde confiança. Cai de produção. Acontece de cair num grupo difícil. Argentina em 2002 fez grandes eliminatórias com o Bielsa, mas caiu num grupo difícil e tinha um grupo com vários jogadores com problemas físicos durante a competição — lembra Rodrigo Coutinho.
Em muitos casos, seleções favoritas chegam e vencem a Copa do Mundo, casos recentes de Argentina, em 2022, que teve 72,7% de aproveitamento no ciclo e foi campeã da Copa América e da Finalíssima, e da França, em 2018, que conquistou 68% dos pontos nos quatro anos anteriores e tinha geração de jogadores muito elogiada.
O futebol se decide nos detalhes, e uma competição de mata-mata pouco mais de um mês de duração envolve uma série de imponderáveis. Por isso, diversos fatores influenciam nos resultados da Copa do Mundo. Não existe uma receita de bolo para ser campeão. Mas, como em qualquer torneio, é sempre melhor ter uma equipe bem definida, entrosada e com sequência de bons resultados.
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