Escoceses levam para Boston tradição de colocar cones de trânsito em estátuas; entenda
Agentes de Segurança seguem tradição de escoceses e colocam cone de trânsito em estátua
A “invasão” escocesa em Boston, nos Estados Unidos, para acompanhar a seleção do país na Copa do Mundo ganhou mais um capítulo. Depois dos torcedores terem promovidos desfiles com gaitas de fole e levarem estoque de bebidas alcoólicas ao limite, o Exército Tartan, com a torcida da Escócia é conhecida, implementou mais uma ação: colocar cones de trânsito na cabeça de estátuas da cidade. A medida tem origem em uma tradição da Escócia, que o ge vai explicar.
A cidade americana, considera o berço da Revolução Americana, tem obras em diversos pontos que ajudam a contar a história local. Pelo menos, desde o dia 17 de junho, há registros de monumentos da capital do Estado de Massachusetts com cones, como o monumento chamado “Os Braços da Amizade” e as estátuas do jogador de basquete Bill Russell, do político e filósofo americano Samuel Adams e do ex-prefeito da cidade, Kevin White.
Monumento chamado “Os Braços da Amizade”, em Boston, recebeu cones pela torcida da Escócia
Martin Rickett/PA Images via Getty Images
Para posicionar o objeto nos locais, os torcedores contaram até com a ajuda de um caminhão com guindaste. Além disso, o costume é tão intrínseco na cultura da Escócia que uma criança foi vista com um chapéu em formato de cone entre a torcida do jogo vencido por Marrocos. Ao todo, a cidade espera receber cerca de 30 mil escoceses no decorrer do Mundial.
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Cone desde os anos 1980 na Escócia
A origem deste hábito tem a ver com a cidade de Glasgow. Com aproximadamente 650 mil habitantes, é mais populosa que a própria capital do país – Edimburgo. Lá está situada a estátua do Duque de Arthur Wellington, bem em ferente à Galeria de Arte Moderna. Desde os anos 1980, entre idas e vindas, um cone está lá.
O duque representado ficou conhecido por derrotar Napoleão Bonaparte, na Batalha de Waterloo, em 1815. Com a vitória, Wellington se tornou primeiro-ministro. Como forma de homenagear o feito, o artista italiano Carlo Marochetti ergueu a obra em 1844, mas os cones somente apareceram nos anos 1980, segundo a BBC, por meio de adeptos à aproveitar a vida noturna ao ponto de escalarem o local para posicionar o objeto.
Estátua do Duque de Wellington – com cone – virou ponto turístico de Glasgow
Andrew Milligan/PA Images via Getty Images
Desde então, o adereço virou caso de polícia, que acusava os envolvidos de vandalismo, de saúde, com a possibilidade de acidentes, e do setor de conservação pública, com danos à estátua. O fato é que, logo após um cone ser retirado, outro surgia dias depois.
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Até mesmo a Câmara Municipal entrou no caso, mas sem sucesso. Em 2000, o órgão retirou o cone para produzir fotos para publicidade, sendo obrigada a refazer o trabalho com o objeto após pressão popular, o que também aconteceu quando um projeto para elevar o pedestal da imagem foi debatido em 2013. Atualmente, o cone – e a estátua do duque – está presente até mesmo em cartazes, postais, cartazes e chaveiros que divulgam a cidade. Para os moradores, é uma maneira de transmitir o senso de humor do povo de Glasgow.
Estátua de Samuel Adams também recebeu o adereço em Boston
Craig Williamson/SNS Group via Getty Images
Em uma exposição realizada na Galeria de Arte, em 2023, uma placa de boas-vindas informava: “Para quem não sabe, a estátua em frente tem um cone na cabeça continuamente nos últimos 40 anos ou mais”.
Há ainda cones temáticos. Em 2014, um cone com a palavra “Sim”, manifestava o apoio ao referendo sobre a independência do país e, em 2020, um objeto na cor azul com estrelas, similar à bandeira da União Europeia, fez menção ao “Brexit” – a saída do Reino Unido da União Europeia. Em 2022, as cores eram amarela e azul, em apoio à Ucrânia durante a invasão russa.
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