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Figueirense 105 anos: Quando o Scarpelli quase virou arena da Copa do Mundo em 2014

Figueirense 105 anos: Quando o Scarpelli quase virou arena da Copa do Mundo em 2014

Florianópolis é candidata para sede da Copa do Mundo de 2014 – Imagens: Arquivo/NSC TV
A Copa do Mundo de 2026 começou nesta quinta-feira. Nesta sexta, o Figueirense completa 105 anos de história. Fundado em 12 de junho de 1921, o clube chega à data com programação especial de festividades iniciada na quinta-feira e com um capítulo curioso para relembrar: a época em que o Orlando Scarpelli quase virou uma arena para receber jogos de Copa do Mundo.
Projeto da Arena de Florianópolis, onde fica o Orlando Scarpelli, para a Copa de 2014
Reprodução
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Entre 2007 e 2009, Florianópolis esteve na disputa para ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. Na candidatura, o estádio do Figueirense era peça central. A ideia era construir a Arena Florianópolis no mesmo local do Scarpelli, no bairro Estreito, com uma estrutura completamente reformulada para atender às exigências da Fifa.
O nome do estádio apareceu em um relatório da entidade ainda em 2007. O documento citava o Orlando Scarpelli ao lado de Beira-Rio, Morumbi e Arena da Baixada como estádios pertencentes a clubes e com condições de receber partidas do Mundial, desde que passassem por obras. Na época, a previsão era de uma transformação completa.
Relembre candidatura de Florianópolis como sede da Copa de 2014 – Imagens: Arquivo/NSC TV
O projeto previa investimento entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões caso Florianópolis fosse escolhida como sede. Se a Capital ficasse fora da Copa, a proposta seria reduzida para uma reforma que deixasse o estádio com capacidade para 30 mil torcedores, número considerado suficiente para receber finais de competições como Campeonato Brasileiro e Libertadores. A obra seria custeada pela iniciativa privada.
A expectativa do Figueirense era ter o planejamento concluído no início de 2008. Presidente da comissão responsável pelo tema, Paulo Prisco Paraíso projetava um cronograma que começaria com a escolha das sedes e seguiria até a entrega da obra antes dos eventos-teste.
A construção do novo estádio também passou por discussão jurídica e urbanística. Como a obra exigia alteração no plano diretor do bairro Estreito, a União Florianopolitana de Entidades Comunitárias entrou com uma ação pedindo o cancelamento da lei. O Figueirense, porém, venceu a disputa judicial.
Orlando Scarpelli teve projeto de Arena para Copa de 2014 – Imagens: Arquivo/NSC TV
Em janeiro de 2009, a candidatura entrou na reta final. O projeto definitivo da Arena Florianópolis foi apresentado com capacidade prevista para 42.473 torcedores, 63 cabines de camarote, 278 assentos na área Vip e 629 cadeiras destinadas para a imprensa.
— Foram feitas adequações arquitetônicas para o local. Fizemos todos os 16 projetos básicos que foram pedidos pela Fifa em novembro e inclui toda parte ecológica, de segurança e de energia sustentável — afirmou Carlos Gonzaga Aragão, Vice-presidente de Patrimônio do Figueirense na época.
Naquele mesmo mês, uma comitiva formada por representantes da Fifa e do Comitê Organizador Brasileiro sobrevoou Florianópolis de helicóptero para avaliar a infraestrutura da cidade. Parte da apresentação foi dedicada justamente à Arena Florianópolis. Os técnicos ainda sugeriram pequenas mudanças no projeto, como a altura do público em relação ao campo.
Comitiva da Fifa sobrevoa Florianópolis para Copa de 2014 – Imagens: Arquivo/NSC TV
A visita também avaliou pontos como mobilidade urbana, aeroporto, rede hoteleira e estrutura da cidade. Questionado sobre possíveis problemas de infraestrutura, o então presidente da CBF e do Comitê Organizador, Ricardo Teixeira, evitou cravar uma posição.
Florianópolis chegou a viver clima de Copa durante a inspeção. A Ponte Hercílio Luz recebeu uma bola sustentada por gás hélio, enquanto Avaí e Figueirense estenderam faixas nos gramados de seus estádios para dar boas-vindas aos representantes da Fifa. A mobilização, porém, não foi suficiente.
Em maio de 2009, a Capital catarinense ficou fora da lista das 12 cidades escolhidas para receber jogos da Copa de 2014. As sedes foram Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Cuiabá, Manaus, Fortaleza, Salvador, Recife e Natal.
Florianópolis fica de fora da lista de cidades sedes da Copa de 2014 – Arquivo/NSC TV
A exclusão gerou reação política em Santa Catarina. O então governador Luiz Henrique classificou a decisão como política e criticou a ausência de Florianópolis.
Mesmo sem jogos, Florianópolis ainda participou do clima do Mundial. Em 2014, a cidade recebeu no Costão do Santinho o congresso técnico da Fifa com representantes das seleções classificadas. O evento teve a presença de nomes como Ronaldo, então membro do Conselho de Administração do Comitê Organizador Local.
Ronaldo Fenômeno, embaixador da Copa do Mundo 2014, causa furor em Florianópolis
A Arena Florianópolis nunca saiu do papel. Ainda assim, a história permanece como um dos capítulos mais curiosos dos 105 anos do Figueirense: por um período, a casa do Furacão Alvinegro esteve no centro de um projeto da maior competição de futebol do planeta.
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