Gyökeres: herói com rosto de vilão é a aposta da Suécia na Copa do Mundo
Aos 5 do 1º tempo – Gol da Suécia! Gyökeres abre o placar para a seleção sueca
Um vilão que tentou destruir uma cidade inteira está chegando ao México e aos Estados Unidos, países que receberão os primeiros jogos da Suécia na Copa do Mundo.
O “vilão” da seleção sueca se tornou herói nacional nos dois jogos decisivos da repescagem para a Copa do Mundo.
+ Confira a tabela com os grupos da Copa do Mundo
🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google
Gyökeres é considerado um dos melhores centroavantes da Europa na atualidade
Getty Images
Autor de três gols contra a Ucrânia, na vitória por 3 a 1, e responsável pelo gol decisivo, aos 43 minutos do segundo tempo, diante da Polônia, na vitória por 3 a 2.
Viktor Gyökeres se tornou uma máquina de gols no futebol português.
Pelo Sporting, marcou quase 100 em apenas duas temporadas.
No fim de maio, eternizou seu nome na história do Arsenal ao ajudar o clube a conquistar o título da Premier League depois de 21 anos.
E deixou sua marca 14 vezes no campeonato.
Suécia x Grécia gol Gyökeres
JONATHAN NACKSTRAND / AFP
Em todos esses gols marcados ao longo da carreira, Gyökeres teve companheiros diferentes para abraçar, vestiu camisas distintas e esteve em estádios variados, mas uma coisa nunca muda: sua inconfundível comemoração.
Ele entrelaça os dedos e cobre a boca após balançar as redes.
Sua inspiração veio das histórias em quadrinhos e do cinema.
O vilão Bane, inimigo do Batman.
Um personagem que nasceu e foi criado dentro de um presídio brutal.
Através dessa convivência diária com a violência, tornou-se um homem forte, que lia livros para fugir da realidade e também se tornou bastante inteligente.
Bane, que usa uma máscara que cobre a boca – assim como o gesto repetido por Gyökeres – é obcecado em acabar com o Homem-Morcego e, no filme O Cavaleiro das Trevas Ressurge, lidera uma revolução e tenta destruir a cidade de Gotham.
Ele acreditava que, no caos, assim como viveu durante toda a vida, as pessoas se tornariam mais fortes e inteligentes, assim como ele.
Assim como a seleção da Suécia, por que não?
Viktor Gyökeres em jogo da Suécia nas eliminatórias para a Copa
Mateusz Slodkowski/Getty Images
Os suecos saíram da última colocação nas eliminatórias da Copa para uma emocionante classificação ao Mundial.
E chegam sabendo que a evolução pode continuar.
Grande parte dessa transformação passa pela chegada do novo treinador. Desde que assumiu a equipe, Graham Potter mudou a maneira de jogar. A Suécia tem boas opções ofensivas, mas perdeu algumas delas para os jogos decisivos da repescagem, como Isak e Kulusevski.
Mas o “vilão” sueco estava lá para se tornar herói.
Potter utilizou estratégias parecidas diante de Ucrânia e Polônia.
Baixíssima posse de bola — em torno de 30% nos dois confrontos — aliada a um jogo extremamente veloz na transição ofensiva, muita objetividade e busca constante por seu artilheiro.
Potter havia acabado de assumir o cargo, e não dava para esperar grandes mudanças estruturais. Ele manteve a compactação, reduziu o tempo de posse, expôs ainda menos a equipe do que seu antecessor, Jon Dahl Tomasson, e apostou em um jogo de aceleração nos contra-ataques. Deu certo.
A boa novidade nesses confrontos foi a maior aproximação entre Elanga e Nygren, que faziam função híbrida entre ponta e segundo atacante, jogando por trás de Gyökeres.
O time deixou de depender apenas de cruzamentos e bolas longas.
Graham Potter, técnico da Suécia
Mateusz Slodkowski/Getty Images
Passou a ter mais qualidade nas proximidades da área.
No centro desse novo cenário sueco está Viktor Gyökeres.
O atacante se transformou na referência ofensiva da seleção.
O jogador que precisa ser acionado o tempo inteiro.
Se estiver plenamente recuperado, Alexander Isak é um talento que pode obrigar o treinador a ajustar o sistema, mesmo atuando na mesma posição de Gyökeres. Ele oferece um perfil mais dinâmico e criativo.
Inteligente para se movimentar entre linhas e muito técnico, ajuda a dar ritmo e imprevisibilidade ao ataque. Passou os primeiros meses do ano se recuperando de lesão e volta gradualmente à melhor forma no Liverpool.
Já Kulusevski, o jogador mais importante na construção ofensiva da equipe, não se recuperou a tempo e não foi convocado.
Desfalque importante para a Copa do Mundo.
Anthony Elanga ganhou ainda mais relevância nas transições rápidas, principalmente pela explosão física.
Sua velocidade e agressividade pelos lados encaixam perfeitamente na ideia de atacar com intensidade implementada pelo treinador. Em muitos momentos, é ele quem transforma recuperação de bola em ataque perigoso quase instantaneamente.
O jovem Lucas Bergvall, de 20 anos, surge como reflexo dessa renovação, trazendo criatividade e maturidade acima da média.
Noruega 3 x 1 Suécia | Melhores momentos | Amistoso internacional 2026
+ Simulador da Copa: projete os resultados do Mundial
🗓️ Calendário da Copa do Mundo 2026: veja datas e horários de todos os jogos
Vale citar outros coadjuvantes importantes:
Lindelöf é o principal zagueiro. Canhoto, atuou por anos como lateral-esquerdo no Manchester United e, na última temporada, transferiu-se para o Aston Villa, onde também pode jogar como volante. Tem bom passe e segurança defensiva.
Svensson é lateral do Borussia Dortmund e já atuou no meio-campo pela seleção. Com Potter, mostrou versatilidade ao jogar em diferentes funções.
Ainda há dúvidas sobre a consistência defensiva diante de seleções mais fortes e sobre a capacidade de controlar o jogo com posse de bola.
A Suécia ainda não foi totalmente testada com o novo treinador — foram poucos jogos —, mas já demonstra sinais de uma identidade mais clara.
A tendência é que o time siga apostando em um modelo que gira em torno do seu centroavante.
A estratégia que garantiu a vaga na Copa pode evoluir e trazer bons resultados.
Gyökeres já mostrou que não é um camisa 9 comum. Tem instinto artilheiro, força física, agressividade no ataque ao espaço e maior participação na construção do jogo.
Virou um jogador capaz de mudar o ritmo das partidas.
O time que parecia destinado ao fracasso nas eliminatórias agora dá sinais de que pode incomodar na Copa do Mundo.
O país já escolheu seu “vilão”.
E esse ídolo decidiu homenagear um personagem que representa força física, inteligência estratégica, disciplina e resistência mental.
As semelhanças, certamente, não são mera coincidência. geRead More


