O filho do tetra: como está o bebê do gesto icônico de Bebeto 31 anos depois do título da Seleção
O filho do tetra: como está Mattheus, bebê do icônico gesto de Bebeto em 1994
Copa do Mundo, Estados Unidos e Seleção com 24 anos de jejum. Todos esses elementos provavelmente te fazem lembrar de título mundial, Romário e a icônica comemoração do “embala bebê”, de Bebeto.
O camisa 7 comemorou o segundo gol do Brasil contra a Holanda, nas quartas de final, fazendo o gesto de carregar um bebê. Trinta e um anos depois, a criança nasceu, cresceu e também virou jogador de futebol: Mattheus Oliveira.
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O “bebê do tetra”, como ele mesmo gosta de dizer, nem sabe dizer quantas vezes viu a comemoração do pai, seja em vídeo da partida ou com pessoas do dia a dia fazendo na sua frente em forma de homenagem.
— As pessoas quando me veem junto do meu pai, quando descobrem que sou o bebê do tetra, começam a fazer o gesto. Quando descobrem que já estou com 31 (anos), vem a famosa frase: “caramba, já estou ficando velho” (risos). É muito bacana ver como um gesto ficou tão marcado no mundo inteiro. É muito bacana esse carinho para a minha família. Mas, sendo sincero, eu já perdi as contas de quantas vezes vi o lance — afirmou Mattheus em entrevista ao ge.
“Ouvi coisas pesadas”: Mattheus conta experiências ao virar atleta sendo filho de Bebeto
Mattheus Oliveira também virou jogador. Meia avançado, começou a carreira no Flamengo, mas fez a carreira principalmente em Portugal, onde atuou por Estoril, Vitória de Guimarães, Sporting, Mafra e Farense. Atualmente está no Tampa Bay Rowdies, da USL.
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— Mattheus é pai de duas meninas lindas que Deus deu, casado com a Giovanna, que ama o futebol, vive intensamente aquilo que faz. Sou um cara muito família, temente a Deus, muito caseiro, gosto de passar o dia com a família, gosto de ver jogos de futebol. Quis traçar meus próprios caminhos, algo que sempre busquei desde o início da minha carreira. É uma honra ser filho de quem eu sou, mas é muito bacana seguir meu próprio caminho – definiu-se.
Brasil x Holanda Copa do Mundo 94 Tetra – Romário Bebeto Mazinho – Embala neném comemoração
Mark Leech/Offside/getty
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Dois dias separam o nascimento de Mattheus, no Rio de Janeiro, ao jogo contra a Holanda, no Cotton Bowl, em Dallas. Nem mesmo a família sabia que Bebeto faria a comemoração.
— Acho que é por isso ficou marcado. Ele realmente não tinha pensado. A única coisa que fez foi orar para fazer gol e homenagear minha mãe. Ele não viu vídeos, na época nem tinha. Ele não combinou nada com Mazinho nem Romário. Acho que isso que marcou, foi algo natural, do coração. Nasci em 94, mas não lembro de ter visto (o gesto) antes. Muita gente não viu meu pai jogar, mas conhece pelo gesto. É legal ver a proporção. Ficou marcado na história. Tirando a do Pelé, é talvez seja a (comemoração) mais marcante da história da Copa — afirmou.
Mattheus diz que comemoração de Bebeto tem que ser repetida: “Buscar quem vai ser pai”
As coincidências entre 1994 e 2026 são presentes. O mesmo tempo de jejum, o mesmo lugar e o time chegando um pouco desacreditado pela campanha de altos e baixos nas Eliminatórias. O que falta?
— Vamos ter que buscar alguém que está para ser pai. Eu não sei se tem alguém (risos). Mas alguém tem que fazer o gesto. Seria bacana, seria uma emoção grande para gente ver esse gesto de novo — brincou Mattheus.
Mattheus Oliveira na vitória do Khorfakkan sobre o Al Bataeh, pela UAE Pro League
Divulgação
Mais declarações de Mattheus
O que pensa da Seleção?
— O Brasil está numa crescente. O Ancelotti era o cara ideal para o momento do Brasil. Precisamos de um cara vencedor, e talvez ele seja o cara mais vencedor em termos de títulos. Estou confiante, o Brasil tem bons jogadores e elenco. O Brasil não é o franco-favorito, são 24 anos sem ganhar título, as últimas competições têm um certo domínio de França e Argentina, mas quando se trata de Brasil e Copa é sempre favorito. É até melhor o Brasil não ser um dos top-3 favoritos. Em 94 o time saiu desacreditado e deu no que deu. Estou confiante, de verdade. É uma competição de tiro curto, nunca é fácil, mas acho que podemos buscar. 24 anos depois, nos Estados Unidos, dá uma esperança maior para mim e para minha família. Tem toda a questão do gesto. Sempre falo com meu pai que temos que ganhar aqui. Estou bem confiante.
Relação com o pai
— Como a gente gosta muito de viver o futebol estamos sempre falando. A Fifa e a CBF sempre chamam ele, então ele virá. É legal viver isso junto com ele. Estamos na expectativa. São 24 anos sem ganhar, assim como foi na dele. Tenho alguns amigos nessa Seleção, estamos sempre conversando. Brincamos para saber se vai ter alguma comemoração igual. A gente vê vários jogadores fazendo o gesto. Hoje você vê o jogador botando a bola dentro da barriga ou fazendo o gesto, até para homenagear a esposa e os filhos. Isso é muito bacana de viver com ele nos Estados Unidos. Vai ser legal também para matar a saudade da família.
Mattheus nos tempos de Flamengo
Wagner Meier / Agência Estado
Fica chateado de ser marcado com o estigma de “filho do Bebeto”?
— Hoje em dia, não. Já estou com 31 anos, estou super acostumado. No início da carreira foi difícil. Ouvi coisas que não eram fáceis para um garoto de pouca idade, mas tive que amadurecer mais rápido. Sempre tive que provar duas vezes mais. Sempre ouvi que só estava lá porque era filho do Bebeto. Tomava aquilo lá como uma motivação para provar para mim mesmo que era capaz pelas minhas próprias pernas. Como ouvi desde muito novo, sempre deixei claro que queria seguir o meu caminho. Sou muito abençoado de ser filho de quem sou, ter um tetracampeão dentro de casa é diferente, mas sempre tentei separar na minha carreira. Meu pai tem a história dele, é linda, nem tem como chegar perto, mas eu estou fazendo a minha. Ouvi muitas coisas até pesadas para uma criança, mas hoje em dia já amadureci. Continuo ouvindo, sempre tem um ou outro, mesmo com 31 anos, jogando em vários lugares… Tem pessoas que realmente são amarguradas. Sou muito tranquilo, sei separar as coisas. Meu pai foi uma lenda do esporte, fica um pouco difícil de chegar (risos).
Como está o clima nos EUA para a Copa?
— Quando a gente fala de Copa é sempre diferente. É uma atmosfera espetacular. Apesar do americano ser um pouco diferente do brasileiro… Tenho certeza que já tem ruas pintadas aí (no Brasil). Por se tratar de Copa, até eles estão entusiasmados, eles têm uma seleção até boa. Aqui na Flórida tem muito brasileiro. Aqui tem até mais isso de viver isso da Copa. O ambiente de viver a Copa é espetacular. Você nem está jogando mas parece que está lá. Você liga a televisão e é só Copa, telefone é só notícia de que tal seleção chegou. Está sendo muito legal viver isso de novo, também passei por isso em 2014 no Brasil. Vou tentar ir ao máximo de jogos que conseguir. A Copa é diferente.
Mattheus e Bebeto
Marcio Iannacca / GloboEsporte.com
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