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Que desapareçam as rugas de Messi

Que desapareçam as rugas de Messi

Argentina 3 x 0 Argélia | melhores momentos | Copa do Mundo 2026
Quando Lionel Messi sorri, surgem rugas nos cantos dos olhos, feito o pequeno mapa de uma bacia hidrográfica qualquer. É o tempo argumentando: ele está lá, ele vem para todos, mesmo para quem não parece vir, mesmo para quem não deveria vir.
Messi sorriu e fez sorrir, foi feliz e nos fez felizes. Nesta terça-feira, contra a Argélia, dobrou o tempo, fez dele um origami. Aos 38 anos, ao iniciar sua sexta Copa do Mundo, marcou os três gols da vitória da Argentina, se tornou o maior artilheiro da história do torneio e adicionou mais uma camada de espanto à sua biografia.
É um privilégio compartilhar com Messi esse fiapo de tempo que nos foi destinado no mundo – algo como viver a descoberta da eletricidade ou a explosão da música inglesa nos anos 60. Em tempos tão acelerados, tão exagerados, vemos aquela camisa 10 em campo e nos sentimos confortáveis para dizer que “OK, é isso, estamos testemunhando a História”.
Contra a Argélia, Messi mais uma vez distorceu o tempo-espaço, como fazem os gênios, os artistas. Nos três gols, ele estava no melhor lugar possível na hora exata: ou para receber em um algum círculo imaginário entre os marcadores, ou para brotar sabe-se lá como, talvez por teletransporte, na frente do goleiro após um rebote.
Messi marca três vezes na vitória da Argentina sobre a Argélia na Copa do Mundo
Getty Images
E ele tem 38 anos, agora seis Copas do Mundo nas costas, marcas nos cantos dos olhos. Nas rugas de Messi, mora a história recente do futebol. Estão lá as frustrações em 2006 e 2010, a perda da final em 2014, a queda para a França em 2018, a consagração em 2022, a sobrevida em 2026. Estão lá as justificativas para ele ser um dos maiores jogadores de futebol que a humanidade já viu.
Gostaria que não fosse a última Copa de Messi. Que ele jogasse aos 42, aos 46, aos 50. Que jogasse idoso, de cabelos brancos, de muletas. Que usasse algum poder, algum feitiço, para congelar o próprio tempo – que nos permitisse envelhecer enquanto ele continua igual.
Gostaria que Messi fosse como Benjamin Button, o personagem do conto de Fitzgerald adaptado ao cinema, o sujeito que vive ao contrário: nasce velho e avança até a infância. Então esta seria sua estreia em Copas, o jogo contra a Argélia teria sido o primeiro de todos, estaríamos assombrados com essa novidade, um baixinho argentino que, olha, parece mesmo bom de bola.
E então veríamos as rugas de Messi desaparecendo aos poucos. Jogo após jogo, gol após gol, título após título, o tempo regressaria. E não precisaríamos, não ainda, não agora, dar adeus a Lionel Messi. geRead More