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Recordista e sem unanimidade no México: como Ochoa chega à sexta Copa do Mundo

Recordista e sem unanimidade no México: como Ochoa chega à sexta Copa do Mundo

“Memomania”: goleiro Ochoa vira febre no México
A Federação Mexicana de Futebol confirmou uma grande história para a Copa do Mundo de 2026. Guillermo Ochoa (sim, aquele mesmo) vai disputar seu sexto Mundial e entrar para o livro dos recordes junto com Messi e CR7. Mas o que os mexicanos acham disso? O ge conversou com jornalistas de lá e descobriu que a fama de “paredão” é muito maior no exterior do que no país natal do goleiro.
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— (A visão dos mexicanos sobre Ochoa) É uma questão controversa porque, sem dúvida, afeta seu status como ex-jogador do América, já que o time talvez tenha a maior torcida no México, mas também a mais odiada. Isso impede que Ochoa seja considerado um ídolo, pois cria uma dualidade entre os torcedores: alguns o idolatram, enquanto outros, principalmente os torcedores dos maiores rivais do time, o detestam — disse o repórter Alejandro Azmitia.
Ochoa é destaque do México
Reuters
O retorno de Ochoa na edição de 2026 tem uma responsável: a lesão de Luis Malagón. O atual goleiro titular do México rompeu o tendão de Aquiles no dia 11 março de 2026 com o Philadelphia Union, em uma partida das oitavas de final da Concachampions.
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O ícone da Copa de 2014 não vinha tendo espaço na seleção, mas voltou a ser opção com a ausência do companheiro, foi chamado na Data Fifa de março e convocado neste domingo pelo técnico Javier Aguirre para a Copa em casa.
A vida por clubes
Os dois jornalistas entrevistados pelo ge concordam que a fama que Ochoa tem ao redor do mundo não se sustenta no México por um motivo em especial: a carreira dele pelos times que defendeu.
Ochoa realmente não teve muito brilho com clubes, a começar pelos títulos que conquistou. Foram só quatro taças em 23 anos de carreira.
Acho que alguns jogadores se encaixam melhor na seleção do que em clubes. Ochoa é um ótimo exemplo. Também acho que o fato de ele jogar em times da parte inferior da tabela, ou até mesmo na lanterna, contribui para que ele sofra mais gols
As campanhas de maior destaque foram todas no México, com a principal equipe de sua trajetória e que também a responsável por seus maiores “haters”: o América-MÉX. Guillermo despontou nas categorias de base do clube e estreou no profissional de lá em 2003.
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Essa primeira passagem durou oito anos e rendeu três dos quatro troféus que Ochoa tem no currículo – Champions da Concacaf de 05/06, Clausura de 04/05 e Campeón de Campeones de 04/05, (disputa entre o vencedor do Apertura e do Clausura). O outro título do currículo foi uma Copa da Bélgica, com o Standard de Liège, de 2018.
Ele voltou ao América-MÉX entre 2019 e 2023, antes de se transferir ao Salernitana, da Itália.
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Por ser uma dos maiores clubes do México, o América trouxe muita visibilidade para Ochoa no país. Existe a parcela dos torcedores que tem mágoas com o goleiro pelos erros que ele cometeu pelo América, outra de torcidas rivais do time que criaram antipatia por ele e uma outra que acredita que chegou a hora do arqueiro da espaços para novas gerações.
— Aqui no México, você vê muitos memes sobre a convocação (do Ochoa). Muitos acreditam que ele ainda deveria ser o titular, outros discordam. Suas atuações em Copas do Mundo passadas são reconhecidas, mas alguns acreditam que é hora de dar lugar a outro jogador. Além disso, o principal ponto fraco de Ochoa sempre foi sair do gol no jogo aéreo. A eliminação do América para o Toluca (na semifinal do Mexicano de 22/23) se deu por conta de um desses erros, algo que muitos torcedores nunca perdoaram — disse Vázquez.
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Além do América, as outras passagens de Ochoa foram por clubes sem muito destaque – AVS (Portugal), Salernitana (Itália), Standard Liège, Granada (Espanha), Ajaccio (França), Málaga.
Uma das grandes polêmicas da carreira de Guillermo também foi com um time. Em setembro de 2025, o goleiro chegou a um acordo para se transferir para o Burgos, da Segunda Divisão da Espanha. Ele viajou para a cidade homônima ao clube para assinar o contrato. Porém, pediu para tomar um café e não voltou à reunião. A explicação veio um dia depois:
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— O clube mudou o valor do contrato de forma repentina e para baixo. O contrato final dava 60% das receitas publicitárias ao clube e ainda incluía uma cláusula extra. O valor total nem sequer chegava ao salário mínimo da categoria — afirmou Ochoa.
O paredão dos Mundiais
A fama de Ochoa se fez em Copas do Mundo. Depois de se destacar nas categorias de base do México, Guillermo ganhou a primeira oportunidade de jogar no time principal com o técnico Ricardo La Volpe.
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A estreia foi dezembro de 2005, na vitória de 2 a 0 em um amistoso contra a Hungria, como a terceira opção de goleiro. Ele entrou no lugar de Jesús Corona e jogou todo o segundo tempo.
Torcedores invocam “São Ochoa” antes de Argentina x México na Copa do Mundo
Reprodução
Ochoa voltou a ser convocado para outros dois amistosos e para a Copa do Mundo de 2006, mas ficou na reserva. O dono da posição era Oswaldo Sánchez, que seguiu sendo a primeira opção da seleção mexicana. No Mundial da África do Sul, em 2010, aconteceu o mesmo: Guillermo ficou no banco em todos os jogos, enquanto Óscar Pérez foi titular.
Depois da Copa de 2010, Ochoa começou a receber chances como goleiro principal, mas ainda com intervalos sem ser convocado ou sendo banco – fato que se repete em toda carreira com a seleção. As coisas mudaram na reta final do ciclo para a Copa de 2014.
Ochoa foi titular em dois amistosos e, já no Mundial, atuou em todas as três partidas até as oitavas de final (quando o México foi eliminado pela Holanda). Entre elas, o empate em 0 a 0 com o Brasil, quando o goleiro brilhou com grandes defesas e saiu com o prêmio de destaque da partida (confira no vídeo abaixo). Ele encerrou o torneio com três gols sofridos em quatro jogos.
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O efeito se repetiu nas Copas de 2018 e 2022 – ambas como titular absoluto. Na edição da Rússia, foi até as oitavas de final e sofreu seis gols. Já no Catar, foi capitão em dois jogos, levou três gols e caiu na primeira fase.
— Alguns o consideram o melhor goleiro mexicano da história. Acho que ele é lembrado principalmente pela Copa do Mundo de 2014 no Brasil e por aquela partida contra o Brasil, na qual teve uma atuação excepcional. Ele teve um bom desempenho em todas as três Copas do Mundo que disputou como titular. Mas acho que ele é mais valorizado no exterior do que aqui porque há muitos que não gostam dele (Ochoa) — afirmou o jornalista do “AS” do México.
— Ele soube reagir bem em partidas muito difíceis, como o empate em 0 a 0 com o Brasil em 2014, onde inclusive fez uma grande defesa em um gol de Neymar, e também contra a Alemanha em 2018, quando manteve o placar zerado para os então campeões mundiais. Já em clubes, ele sofreu diversas goleadas, devido aos clubes pelos quais jogou, principalmente na Europa — disse Alejandro.
Recorde dividido com lendas
A confirmação da ida para o Mundial de 2026 vai colocar o goleiro na história do futebol: só ele, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo vão poder se gabar de terem participado de seis Copas.
O trio atualmente divide o recorde de cinco Mundiais disputados com os mexicanos Antonio Carbajal, Rafael Márquez e Andrés Guardado, além do alemão Lothar Matthäus e do italiano Gianluigi Buffon. Entretanto, vale destacar que Messi e CR7 têm uma vantagem em relação a Ochoa.
— Isso é importante para a história do futebol mexicano, pois vale lembrar que o primeiro jogador a participar de cinco Copas do Mundo foi o goleiro Carbajal. No entanto, em nível global, o feito de Messi e Cristiano será maior porque eles jogaram nas últimas cinco edições, diferentemente de Ochoa, que atuou apenas de 2014 a 2022 — explicou Alejandro.
Os jornalistas também destacaram que uma grande parte dos torcedores do México acreditam que falta renovação entre os goleiros da seleção. Nesse sentido, Ochoa, já aos 40 anos, deveria dar espaço para arqueiros mais jovens.
— É um recorde difícil de analisar. Ochoa não jogou um único minuto sequer em 2010 ou 2006, então é um recorde que estamos destacando para termos algo para nos orgulharmos. Mesmo assim, o fato de ele ter estado lá é reconhecido, e ele sempre será lembrado como uma lenda da seleção mexicana — afirmou Luis.
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