Surfista, Cunha pega onda do protagonismo e se consolida com a 9 da Seleção na Copa
Dois gols, camisa 9 às costas, elogios pela versatilidade e decisivo na primeira vitória da Seleção na Copa do Mundo. A frase pode até ser clichê, mas poucas vezes foi tão apropriada para um jogador de futebol: Matheus Cunha está na crista da onda.
Versatilidade faz Matheus Cunha ganhar espaço na Seleção
Escolha de Carlo Ancelotti para dar mobilidade e abrir caminhos ofensivos para o Brasil no 3 a 0 diante do Haiti – após perder a vaga para Igor Thiago no jogo com o Marrocos -, o atacante viveu na Filadélfia uma das noites mais especiais da carreira. E além de abrir os caminhos para o triunfo da seleção, teve a chance de levar ao palco da Copa a comemoração que virou febre na Inglaterra ao simular pegar uma onda.
Matheus Cunha em Brasil x Haiti
REUTERS/Dylan Martinez
Surfar é um dos hobbys preferidos do camisa 9 da Seleção. É na água que Cunha contrapõe toda a pressão dos gramados e recarrega as baterias para momentos como os desafios que tem enfrentado nos Estados Unidos
Matheus Cunha surfa com Ítalo Ferreira em piscina de ondas no Vivo Rio Pro 2024
Natural de João Pessoa, na Paraíba, o jogador do Manchester United subiu na prancha pela primeira vez ao passar férias no interior do Rio Grande do Norte e conhecer o campeão mundial e olímpico Ítalo Ferreira, e levou o hábito para a fria Inglaterra. Nos tempos de Wolverhampton, bastava uma folguinha para se mandar para um espaço chamado “Wave Garden”, em Bristol, e dropar ondas artificiais.
“O surfe apareceu na minha vida em um momento de lazer e descanso. Estava tirando alguns dias de férias em Baia Formosa, no Rio Grande do Norte, e lá pude ter o prazer de conhecer alguns surfistas. Desde então tomei gosto pelo esporte e procuro sempre praticar nos meus momentos de lazer”
– Foi uma situação que aconteceu de maneira natural e hoje posso dizer que faz parte da minha vida e dia a dia. Fiz alguns amigos surfando que estou sempre em contato. Um deles é o Ítalo. Nos falamos constantemente e quando ele está nas águas ligo a TV para torcer. É um hobby e uma maneira de me desligar da rotina pesada que tenho como jogador de futebol. Recarrega as minhas energias.
Ítalo e Cunha têm mais do que a paixão pelas ondas em comum. Em Tóquio-2020, ambos levaram a medalha de ouro olímpica, em conquista que abriu as portas para o centroavante na Seleção principal. O surfista disputou a etapa brasileira do WSL na última semana, em Saquarema (RJ), e comemorou os gols do amigo com direito a promessa:
– Estou devendo as pranchas, já pedi as medidas para ele. O moleque brilhou. Um cara que trabalha muito, tem um talento incrível e merece esse sucesso, todo esse brilho. Desejo muita sorte para ele durante essa jornada e a gente vai fazer uma bateria em breve na piscinas de ondas.
Ítalo Ferreira fala sobre Matheus Cunha: “Estou devendo umas pranchas agora”
Desde a primeira convocação, com Tite, em setembro de 2021, já são 25 jogos e três gols com a camisa verde e amarela. A comemoração surfando, por sua vez, só foi colocada em prática diante dos haitianos. No outro gol marcado pelo Brasil, Cunha correu para colocar a bola no meio de campo na derrota por 4 a 1 para a Argentina, em março de 2025. Conexão futebol e surfe que o próprio Cunha trata como determinante para o sucesso seja pela Seleção, seja pelo United.
“Levo o surf também pro campo em minhas comemorações. Considero o surf um momento de preparo para estar no meu melhor em campo”
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– É onde eu recarrego as energias positivas e descarrego aquilo que preciso para estar tranquilo durante a semana. Por considerar importante para eu estar melhor em campo, levei para minhas comemorações de gol.
Matheus Cunha surfa em piscina de ondas na Inglaterra
Arquivo Pessoal
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A versão surfista dos gramados de Matheus Cunha começou na temporada 2024/25, ainda pelos Wolves, e parece ter dado sorte. Depois de marcar 18 gols e seis assistências, Cunha foi comprado por R$ 480 milhões pelo United, com quem assinou até 2030. Na primeira temporada, já foram dez gols e duas assistências, todos na Premier League.
As ondas a serem surfadas agora estão nos Estados Unidos, e o Brasil de Cunha embarca na próxima terça-feira para a Costa Leste da Flórida para o último compromisso da primeira fase. Com o camisa 9 em alta, a Seleção encara a Escócia, às 19h (de Brasília), em Miami, pela terceira rodada do Grupo C.
Com quatro pontos e três gols de saldo, o Brasil precisa vencer os escoceses e terminar com saldo melhor do que o Marrocos, que encara o Haiti, para terminar a primeira fase na liderança.
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