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Cédric admite pressão no São Paulo, mas diz: “Quem não quer emoção não pode jogar no Brasil”

Cédric admite pressão no São Paulo, mas diz: “Quem não quer emoção não pode jogar no Brasil”

Cédric fala sobre pressão vivida por Roger Machado
Cédric Soares viveu quase tudo o que um jogador pode experimentar no futebol. Aos 34 anos, o português disputou uma Copa do Mundo, conquistou a Eurocopa e atuou por quase uma década na Inglaterra. Desde o ano passado, porém, descobriu uma realidade nova na carreira: vestir a camisa do São Paulo e sentir a pressão do Brasil.
Contratado em janeiro de 2025, inicialmente com um contrato de três meses, o português conquistou seu espaço, soma 60 partidas pelo Tricolor e se aproxima de sua marca pessoal pelo Arsenal, onde jogou 64 partidas em quatro temporadas. Cédric se diz acostumado às exigências do futebol brasileiro.
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Cédric Soares tem 60 jogos pelo Tricolor
Marcos Ribolli
— Sempre fui uma pessoa e um jogador que tenta se adaptar rapidamente ao país e cultura, e mesmo à parte tática e técnica do campeonato. Quando saí de Portugal para a Inglaterra, bem jovem, tive também um período de adaptação. Neste caso, ao ir para o Brasil, o campeonato tem características diferentes, tive um período de adaptação, tem muitos jogos no ano, ou seja, eu acho que tem uma exigência bastante alta o Campeonato Brasileiro, mas me sinto adaptado, já começo a entender as características do Brasileirão — disse o jogador em entrevista ao ge.
Nesta temporada, o lateral afirma ter sentido na pele a pressão do futebol brasileiro. O São Paulo está com seu terceiro treinador em 2026. Após a saída de Hernán Crespo, Roger Machado assumiu a equipe, mas permaneceu apenas três meses no cargo. Desde maio, o time é comandado por Dorival Júnior.
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— Em questão de futebol tem que estar habituado a lidar com pressão, a pressão existe em todos os lados do mundo, mas se calhar com intensidades diferentes, e formas diferentes. Quem quer jogar futebol de forma relaxada não pode ser profissional, ainda mais no Brasil. O Brasil é isso, quem não quer emoção, pressão e paixão no futebol não pode jogar no Brasil, aqui sempre foi conhecido por ter uma paixão muito grande e que respira futebol.
Cédric fala sobre período em que ficou sem atuar no São Paulo
No início do ano, Cédric viveu seu momento mais crítico no São Paulo, quando deixou de ser relacionado por Crespo durante o começo da temporada. O atleta citou a maratona de jogos do ano passado, quando entrou em campo 44 vezes, como um empecilho para uma sequência e revelou que chegou a jogar lesionado.
— Tento sempre levar para o lado do aprendizado, a lidar com opiniões diferentes em alguns momentos, não especificamente com Crespo, se calhar com ele tive o período com mais jogos, junto com Zubeldia, no ano passado joguei 44 jogos, são muitos jogos em uma época, acho que só tive esse número de jogos com seleção, agora sem seleção nunca tive tantos jogos em uma temporada
— Não quero ligar ao Crespo, são momentos dos jogadores, decisões dos treinadores, talvez naquele momento não estava a ser visto como titular absoluto, ele optou por outras opções, como em outros momentos fui titularíssimo, fiz jogos que quem está próximo sabe que joguei com dedo partido do pé, coisas que nunca fiz na vida, mas porque vi a necessidade de jogar, para poder contribuir, ajudar quando tinha necessidade — contou ao ge.
Cédric fala sobre número de jogos pelo São Paulo
A passagem de Roger Machado foi um dos momentos mais críticos durante a passagem do jogador no São Paulo. O lateral revelou que a pressão sobre o treinador chegou no vestiário e que tentaram dar uma resposta.
— Claro que houve sempre uma pressão muito grande no Roger, acho que foi algo óbvio desde o início. Os jogadores é normal sentirem, as coisas chegam mesmo que você tente não estar dentro da notícias diárias, mas a informação chega a nós, tínhamos noção disso. Mas acho que a equipe tentou se unir, trabalhar de forma positiva, tentamos dar uma resposta, acho que houve, o Roger tem umas características diferentes do grupo, acho que o grupo tentou abraçá lo, dar uma resposta, em alguns momentos não conseguimos o resultado e sabemos que no futebol o resultado é crucial.
Cédric Soares chegou ao São Paulo em janeiro de 2025
Rubens Chiri / saopaulofc.net
Cédric Soares tem contrato com o São Paulo até o fim de 2027. O atleta declarou que atuar no Tricolor é diferente, mas não garantiu a permanência no clube.
— O São Paulo é um clube muito grande, tenho contrato, estou feliz no clube, minha família está adaptada à cidade, a cidade é incrível, sinto bastante apoio dos colegas, que me receberam sempre de forma positiva, é como digo, o dia a dia, morar em São Paulo e jogar no São Paulo é uma experiência única. Você caminha na rua e vem uma criança tirar uma foto contigo, aquele orgulho, e você ser o ídolo aquela criança, daquela família, são coisas que acontecem muito em países latinos, e o Brasil vive o futebol de forma muito apaixonante — disse o jogador.
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— Acho que isso é muito positivo, vejo com bons olhos. Não consigo responder bem a sua pergunta, mas neste momento me sinto feliz, bem adaptado, quero seguir contribuindo e o futuro só a Deus pertence.
Cédric Soares em atividade no São Paulo
Pedro Guedes/saopaulofc
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Semelhanças entre o futebol brasileiro e europeu
— Premier League, que tinha essas características. Mas o Brasileirão, por exemplo, tem de fato um nível competitivo muito alto, muitas equipes que podem brigar pelo título, tem um profissionalismo muito grande, pois é um período curto de recuperação entre os jogos, pelo número de partidas. Então exige que você esteja constantemente preparado. Se acaba um jogo, já tem que estar praticamente em recuperação para o próximo. São mais viagens, mais adaptação ao clima.
— Esse tipo de característica influencia o campeonato: as viagens, os campos, o clima, os jogos serem perto uns dos outros. Mas é o futebol brasileiro, sabemos que tem essas características, que por vezes vão tornar o jogo mais difícil. Por outro lado, é emoção pura que o Brasileirão tem, e isso é apaixonante.
Como é jogar uma Copa do Mundo?
— Tanto a Euro quanto o Mundial têm um significado especial para um jogador, sem dúvidas. Tem uma energia em volta do torneio muito especial, desde a chegada, viver a cultura do país onde serão realizados os jogos, e depois aquela parte do mini centro de treinamento que fazem. A união do grupo é muito importante porque passamos algumas semanas juntos, 24 horas por dia. Isso é peça-chave, é uma experiência única.
— Tive muitos anos na seleção. Em seis, sete anos, não faltei a uma concentração da seleção. Sempre que ouvia meu nome na lista, mesmo que fosse para um estágio, era um motivo de orgulho. Eu sorria, sabia que iria rever os meus colegas, os meus amigos, as mesmas brincadeiras, pessoas com a mesma cultura, que cresceram de uma maneira muito parecida com a minha. Por isso é muito fácil, em termos culturais, ir para a seleção.
Portugal está pronto para ser campeão da Copa?
– É uma resposta difícil, mas ninguém esperava que nós ganhássemos a Eurocopa. Se calhar, ninguém diria que a seleção estava pronta para ser campeã da Europa, mas fomos. É um fato. Acho que as gerações de hoje em dia podem não ter noção, mas estão a colher muitos frutos de gerações passadas. A minha geração já colheu frutos de uma geração anterior, quando Portugal às vezes não era favorito nem para se classificar. Nós já colhemos frutos do passado, e os atuais talvez estejam colhendo frutos da nossa geração também. Faz parte.
– Hoje o português é um jogador valorizado. Eu lembro que tive essa conversa com o Arteta. Ele me chamou para conversar sobre isso, sobre a visão dele a respeito do jogador português. Nós discutimos isso e ele me disse que trabalhou com jogadores portugueses, no City também, e que o português é um jogador muito competitivo, e que ele buscava isso.
– Acho que é isso. Sempre foi competitivo, mas neste momento o jogador português é valorizado, respeitado. A formação de Portugal é vista pelos outros clubes, pelo menos na Europa, de uma forma positiva. Tem uma boa formação, jogadores taticamente bons, com bom grau técnico, pessoas equilibradas. Ou seja, tem um grau de competitividade alto, e isso tem sido bastante valorizado. Logo, as oportunidades na seleção nacional têm sido melhores. Há cada vez mais jogadores em equipes grandes, atletas que atuam em nível de elite. Naturalmente estamos mais competitivos e vejo a seleção com bons olhos. É um grupo unido, com grau competitivo alto, mais protagonista do que era no passado. Mas o futebol tem muitas coisas. Vamos ver se o grupo está preparado para dar todas as respostas. Eu confio que a seleção pode dar uma boa resposta no Mundial.
Cédric analisa seleção de Portugal para a Copa do Mundo
Convivência com Cristiano Ronaldo
– Eu acho que o Cristiano é uma referência para qualquer jogador que quer chegar à elite. Acho que ele de fato dedicou a vida inteira dele ao futebol. Desde que me lembro também jogo futebol, sempre quis ser jogador, mas o Cristiano continua tendo esse sonho com a idade que ele tem. Ele segue olhando o dia a dia com o mesmo sonho e com a mesma vontade de quando tinha 20 anos.
– Eu admiro isso, sem dúvida. Procuro adquirir essas coisas positivas que vejo na forma como ele encara o futebol. Mas acho que é de fato um prazer enorme ter estado em tantos jogos com o Cristiano, ter compartilhado vestiário com ele. Mesmo fora do vestiário, é uma pessoa interessante, que se comunica bastante, tem uma voz ativa em todos os momentos: refeições, palestras, conversas banais de grupo, momentos de convivência em uma sala de jogos. É de fato uma referência e é algo que temos que aprender, da forma como ele olha o futebol.
– É uma pessoa que já ganhou tudo e quer voltar a ganhar. Uma pessoa que não tem nada a provar a ninguém e segue querendo provar. É referência no dia a dia, na forma de se alimentar, treinar, descansar. Aquelas partes que não são negociáveis, ele não facilita um centímetro. É difícil fazer isso todos os dias, aquela constância que falei, a constância que existe no futebol, de fazer isso todos os dias, sempre igual. Por isso, ter o privilégio de jogar com o Cristiano por tantos anos, ter essa proximidade, é algo positivo que eu admiro, respeito e quero continuar a aprender muito com ele.
Cédric fala sobre relação com Cristiano Ronaldo
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