Estádio de Curitiba onde Romário perdeu pênalti pelo Flamengo terá futebol profissional após 13 anos
Paraná Clube vence o Flamengo com pênalti perdido por Romário em 1998
A tradicional Vila Olímpica do Boqueirão, em Curitiba, está de volta ao mapa do futebol profissional. Após 13 anos, o Estádio Erton Coelho Queiroz vai ser palco de São Joseense x Marcílio Dias, no domingo, às 15h (de Brasília), pela última rodada da primeira fase da Série D.
O último capítulo profissional no gramado do Boqueirão havia sido no dia 29 de maio de 2013, no empate por 2 a 2 entre Athletico e Cruzeiro, pelo Campeonato Brasileiro. O retorno do estádio sela um avanço crucial na recuperação estrutural de um dos maiores patrimônios históricos do Paraná Clube.
Para este retorno, a Vila Olímpica recebeu a liberação dos órgãos competentes e está apto a abrigar partidas oficiais com capacidade máxima para 11.088 torcedores.
Vila Olímpica do Boqueirão, estádio do Paraná Clube
Marcus Benedetti/PRC
Carinho paranista pela Vila Olímpica
O retorno do público ao Boqueirão mexe diretamente com a memória afetiva do torcedor paranaense, em especial do Paraná Clube. Foi ali que o clube viveu alguns momentos emblemáticos na década de 1990.
No total, o Paraná Clube disputou 42 jogos no estádio, acumulando um histórico positivo de 23 vitórias, nove empates e dez derrotas, balançando as redes adversárias 67 vezes e sofrendo 41 gols.
A mística do estádio começou logo na estreia tricolor no local, em 5 de junho de 1994, quando um gol heroico de Ney Júnior aos 44 minutos do segundo tempo garantiu a vitória sobre o Londrina e o título antecipado do bicampeonato estadual, sob a batuta do lendário técnico Rubens Minelli.
Caio Júnior levanta a taça do Paranaense 1997
Arquivo
Três anos depois, em 1997, o Boqueirão testemunhou a consolidação da hegemonia local do clube. Com dois gols de Caio Júnior e um de Ricardinho, o Tricolor aplicou 3 a 0 no União Bandeirante, assegurando o histórico pentacampeonato paranaense.
Em 1999, o Paraná Clube fez 6 a 2 sobre o Coritiba, na Vila Olímpica, com o atacante Ilan sendo o protagonista ao marcar três vezes. Lúcio Flávio, Reginaldo Vital e Betinho, contra, completaram o massacre.
Romário perdeu pênalti no Boqueirão
Nem só de títulos viveu o estádio, que também foi palco de superação e drama. Em 12 de novembro de 1998, o Paraná bateu o Flamengo por 2 a 1, com gols de Arinélson e Gabriel Silveira, se livrando do rebaixamento à Série B.
Romário cobra pênalti contra o Paraná Clube em 1998
Reprodução/RPC
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O jogo ficou eternizado pelo dia em que o goleiro Marcelo defendeu um pênalti de Romário, impedindo o gol de empate do Baixinho.
Naquela ocasião, caso Romário tivesse marcado o gol e o empate fosse o resultado final, o Paraná Clube teria sido rebaixado no lugar do América-MG.
Quinze anos mais tarde, em 28 de maio de 2013, o Paraná Clube se despedia da Vila Olímpica em um empate sem gols contra o São Caetano, pela Série B, na estreia do técnico Dado Cavalcanti.
Vila Olímpica do Boqueirão, estádio do Paraná Clube
Marcus Benedetti/PRC
Esforço conjunto para a reabertura
Para que as portas fossem reabertas, o espaço passou por uma intensa maratona de melhorias e intervenções estruturais nos últimos meses. O esforço conjunto resultou na obtenção de todos os laudos necessários da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária e Federação Paranaense de Futebol.
O trabalho de revitalização saiu do papel graças a uma parceria institucional entre o Paraná Clube e o São Joseense. O clube da Região Metropolitana vai utilizar a Vila Olímpica enquanto o Estádio do Pinhão passa por reformas, unindo a necessidade de uma casa temporária ao desejo paranista de reerguer seu patrimônio.
— O São Joseense teve papel importante neste processo, e graças a esse entendimento conseguimos devolver à Vila Olímpica a capacidade de receber jogos profissionais. É um avanço importante para ambos os clubes e para um espaço que tem relevância histórica dentro do futebol paranaense — destacou o presidente do Paraná Clube, Ailton Barboza de Souza.
A intenção do Paraná Clube é utilizar a Vila Olímpica para os jogos profissionais da Taça FPF, que será disputada no segundo semestre. No momento, o local tem recebido partidas da base.
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